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Babá: Termo ioruba, significa pai. Pai ou ancestral, no culto ioruba. Pai-de-santo.
Bahia: Nome com que se designa um acidente geográfico e um Estado da federação do Brasil. O acidente geográfico é a Bahia de Todos os Santos, que recebeu esse nome de seu descobridor, o Capitão-mor Cristóvão Jacques, que, encontrando-se diante de uma larga e ampla enseada, denominou-a baía. Como a descoberta foi no dia 1o. de novembro de 1526, dia em que a Igreja festeja todos os santos, então o acidente passou a se chamar Bahia de Todos os Santos, estendendo-se a denominação ao Estado da federação.
Bamba: Exímio capoeirista, que possui um nível e volume de jogo elevados.
Bananeira: Movimento pelo qual o capoeirista se movimenta de cabeça para baixo, equilibrando-se sobre as mãos.
Banda: O adversário executa um martelo e o capoeirista entra segurando a perna com uma mão e o ombro com a outra passando uma rasteira na perna que esta no chão, atirando o adversário ao chão.
Banda de Costas: O adversário executa uma meia-lua de frente, o capoeirista entra na vingativa, abaixa e segura com uma mão a perna do oponente, e com a outra o pescoço, arremessando-o de cabeça, por cima de suas costas.
Banda de Lado: O adversário da uma meia-lua de frente, o capoeirista entra na vingativa, abaixa e segura com uma mão a perna do oponente, e com a outra o pescoço, arremessando-o de cabeça para o chão.
Banto: Indivíduo dos bantos, povo negro da África Central ao qual pertenciam, entre outros, os negros escravos chamados no Brasil angolas, cabindas, benguelas, congos, moçambiques. Banto é família lingüística e não etnográfica ou antropológica. Inclui duzentas e setenta e quatro línguas e dialetos aparentados.
Banzo: Nostalgia mortal dos negros da África: "Uma moléstia estranha, que é a saudade da pátria, uma espécie de loucura nostálgica ou suicídio forçado, o banzo, dizima-os pela inanição e fastio, ou os torna apáticos e idiotas." (João Ribeiro, História do Brasil, p.207).
Baqueta: Do italiano "bachetta". Nome dado à varinha fina com a qual se toca o berimbau.
Bará: . É uma qualidade de Exu, deus nagô, mensageiro entre os demais deuses e os humanos. Etnograficamente falando, Bará é chamado todo Exu de caráter pessoal ou privado. Assim, cada deus tem o seu Exu ou escravo, como também se diz, de caráter privado, que se chama Bará, daí ouvir-se falar em Bará de Oxossi, Bará de Oxalá, Bará de Ogum e assim por diante. O mesmo acontece com o eledá (Deus guardião da pessoa) de cada indivíduo, que também tem o seu Bará. Todo Bará leva um nome que o distingue dos demais e se identifica com seu dono.
Baraúna: Árvore de grande porte (Melanoxylon baraúna, Schot).
Barravento: (1) O mesmo que barlavento. Termo de origem ainda incerta. É termo náutico já registrado pelo Barão de Angra, com o significado de "lado donde sopra o vento". (2) Designa também o ato de uma pessoa perder o equilíbrio do corpo, como se sentisse uma ligeira tontura. (3) Nome que se dá a um toque litúrgico, nos candomblés de nação Angola, assim como aos cambaleios que dá qualquer pessoa antes de ser totalmente possuída pelo orixá dono de sua cabeça.
Batizado: Cerimônia de iniciação da capoeira. Os alunos iniciantes são batizados, ou seja, recebem a sua primeira graduação e ganham um apelido sendo, neste momento, apresentados à comunidade capoeirística em que convivem.
Batuque: (1) Dança de origem angola-conguense que maior influência desempenhou na folk-dance afro-brasileira. Nas terras de origem, o termo batuque, é o nome de uma dança de caráter geral, onde os negros, em círculo, executam passos, "sapateados" em ritmo marcado com palmas e instrumentos de percussão (atabaques). O batuque consiste num círculo formado pelos dançadores, indo para o meio um preto ou preta,que, depois de executar vários passos, vai dar uma embigada, a que chamam semba, na pessoa que escolhe, a qual vai para o meio do círculo substituindo-o. (2) Competição que mobilizava um par de jogadores, de cada vez. Dado o sinal, estes uniam as pernas firmemente, tendo o cuidado de resguardar os órgãos sexuais. Havia golpes como a ´encruziada`, em que o atacante atirava as duas pernas contra as pernas do adversário, a ´coxa lisa`, em que o jogador golpeava coxa contra coxa, acrescentando ao golpe uma ´rapa`, e o ´baú`, quando as coxas do atacante davam um forte solavanco nas do adversário, bem de frente. Todo o esforço dos jogadores concentrava-se em ficar de pé, sem cair. Se, perdendo o equilíbrio, tombasse, o jogador teria irremediavelmente perdido. Era comum, por isso, ficarem os batuqueiros em ´banda solta`, equilibrados em uma única perna, a outra no ar, tentando voltar à posição primitiva. Luiz Cândido Machado, pai de Mestre Bimba, foi campeão de batuque, luta da qual Bimba utilizou elementos para elaborar a capoeira regional. Como jogo independente, o Batuque já não existe na Bahia. Batuque-Boi - Luta popular, de origem africana, muito praticada nos municípios de Cachoeira e Santo Amaro e capital da Bahia. Executam-na ao som do pandeiro, ganzá, berimbau e cantigas. A tradição indica o batuque como de procedência banto.
Batuqueiro: Praticante da luta "batuque".
Benção: (1) Golpe frontal, aplicado com a sola do pé. (2) Golpe contundente, ou apenas desequilibrante, do jogo de Capoeira. Um dos movimentos básicos, em que o capoeirista aplica um chute com a planta do pé na altura do plexo solar do adversário.
Benguela:
(1) Nome de um país africano.
(2) Toque de Capoeira usado para acalmar os ãnimos dos capoeiristas.
(3) Tipo de jogo da capoeira.
(4) Corruptela de banguela ou banguelo. Pessoa sem dentes; sem os incisivos. Encontra-se o vocábulo em algumas "cantigas de escárnio". Ex:
"Acho ser coragem sua
Me convidar pra martelo,
Que eu não respeito outro homem
Quanto mais um amarelo,
Que, além de amarelo, é torto
É, além de torto, é banguelo."
(5)O costume de limar os dentes, por motivos estéticos ou religiosos, é encontrado em lugares diversos. O vocábulo interessa à etnologia brasileira por estar ligado com uma fonte exportadora de escravos em Angola. Os negros banguelas ou ganguelas, liumbas, loenas cortam os dentes.
Berimbau: GInstrumento de procedência africana, que consiste num arco de madeira, tendo um arame retesado, passado entre as pontas. Na parte inferior do arco é presa uma cabaça, de forma arredondada, com uma abertura circular, que funciona como caixa de ressonância. O som é obtido pela percussão do arame com uma baqueta e um dobrão. Também chamado urugungo, oricungo, ricungo, rucungo, marimbau, gôbo, bucumbumba, macungo, matungo e mutungo. Em Belém do Pará, marimba. Em uma orquestra completa, encontram- se três berimbaus: Gunga, Médio e Viola. É comum associar-lhe o caxixi.
Berimbau de Beiço: Conhecido como marimbau. É um pequeno instrumento tocado preso aos dentes. A caixa de ressonância é a própria boca. É uma peça raríssima, encontrada em museus. Também chamado de trompa de paris.
Berimbau de Boca: Outra variedade do instrumento não possui cabaça; o tocador prende a corda entre os dentes, funcionando, pois a boca como caixa de ressonância. Instrumento simples, que pode ser construído na hora, usando qualquer madeira, um pedaço de cipó e uma baqueta. O tocador só precisa de uma faca para cortar as partes e tocar. Usado como divertimento de indivíduos..
Besôro: Corruptela de besouro. A maioria dos lingüistas considera desconhecida a origem do termo. Designação comum aos insetos coleópteros. 2. Na capoeira, geralmente é nome próprio personativo, designando o capoeirista Manuel Henrique, conhecido como Besouro Cordão de Ouro, ou Besouro Mangangá, um dos heróis míticos da capoeira
Bicuda: Faca de ponta.
Biriba: Árvore da qual se extrai a madeira para a confecção do berimbau. Mais comumente usada para se confeccionar a verga do berimbau.
Boca de Siri: Um dos nomes dados à navalha.